
Ciclicamente, e sempre que se ouvem críticas mais contundentes às
"políticas" dos anteriores ou actuais membros da Ordem dos Enfermeiros, ouvimos muitos dizerem, e passo a citar, o seguinte:
"Se esta rapaziada da blogagem fosse às Assembleias Gerais e/ou contribuisse com reflexão séria em vez de botar abaixo, talvez efectivamente a coisa mudasse. Doutro modo vamos continuar a zurzir uns nos outros e a coisa a afundar...." (in: http://doutorenfermeiro.blogspot.com em "A Paciência Tem Limites"; espaço comentários; Data de 23 de Abril de 2008).Em primeiro lugar, quando lemos uma expressão destas presumimos desde logo que a intencionalidade em nos denominarem de "rapaziada da blogagem" é depreciativa, dado que nos remete para a condição de jovens inexperientes que tem muito a aprender na vida. Em oposto, do outro lado, os que não são rapazinhos nem "perdem tempo" com a "blogagem" têm mais do que fazer do que perderem tempo com estes disparates que por aqui se escrevem.
Em segundo lugar, esta expessão que em cima citei, também nos ensina que em vez de perdermos tempo a escrever estes dislates, deveríamos era aproveitar bem melhor o nosso tempo útil, tornando-nos desta forma muito mais úteis à sociedade em geral e à Enfermagem em particular, participando activamente nas Assembleias Gerais (AG) da Ordem dos Enfermeiros.
Assim sim! Se participássemos activamente nas AG, tudo fazia muito mais sentido e as coisas poderiam finalmente mudar.
O/A autor/a desta frase, comum a tantos outros/as, remete-nos para o nosso ínfimo lugar, o de "rapazinhos blogers" que nada fazem efectivamente para além de "mandarem umas bocas" e diz-nos claramente que se não participamos activamente nos trabalhos da Ordem dos Enfermeiros, não somos dignos de emitir nenhum tipo de opiniões, sejam elas quais forem.
Perdemos o direito de ter opinião. No fundo, dizem-nos que se em vez de "falarmos" tanto, o que deveríamos era fazer alguma coisa para mudar o actual "estado das coisas", contribuindo assim sem margem de dúvida para limitar os actuais conflitos e evitando estarmos perante uma realidade que a maioria dos Enfermeiros consegue facilmente avaliar. Logo, e numa espécie de conclusão, os responsáveis efectivos pelo actual estado da Enfermagem Portuguesa não são afinal os membros eleitos dos vários órgãos da Ordem dos Enfermeiros que detêm o poder interventivo mas, pasme-se, a responsabilidade é seguramente dos "rapazinhos Blogers" que se limitam apenas a destabilizar tudo, no sentido em que o que sabem fazer é utilizar uma política do "mal dizer" , do "bota abaixo", zurzindo e criticando quem de facto anda a trabalhar. Malditos!
Mas o que o/a colega se esquece é que a sua afirmação pode partir de falsos pressupostos. Repare que em primeiro lugar não entendo a razão pela qual parte do pressuposto que todos os que perdem tempo a "blogar" são uns rapazinhos aparentemente imberbes e inexperientes. O que o/a levou a pensar tal coisa? Olhe que não, olhe que não!

Depois, relembro que iniciámos um novo século. Iniciámos um período de profunda mudanças sociais, culturais, económicas, entre outras, a que muitos autores de referência denominam de revolução pós-industrial, em que as tecnologias de informação são a parte relevante da actual sociedade do conhecimento. Partindo do princípio que esta nova sociedade se está a construir deveriamos pensar na eventual importância de todos os "rapazinhos que blogam" dando-lhes eventualmente uma maior relevância. Posso no entanto compreender que esta realidade, para mim de inquestionável e de profunda evidência, não seja ainda uma realidade para todos os enfermeiros e enfermeiras e esta sim, ser uma verdadeira fonte de preocupação sobre a qual deveríamos todos estar verdadeiramente atentos e preocupados.
Por outro lado, parte do pressuposto que "estes rapazinhos" não vão ás AG`s da OE, e que por essa razão activos participantes nos problemas da profissão de enfermagem que a todos aflige.
Como é que chegou a tal conclusão? Não entendo!
O/a autor/a desta expressão parte ainda do presuposto que só se devem discutir os problemas da enfermagem nas Assembleias Gerais da Ordem dos Enfermeiros. Como podem reservar a discussão séria dos problemas da OE apenas para as AG? Não considerarão demasiadamente restritivo esse pensamento? As
discussões que nos afligem a todos, e falo mesmo de todos, não deverão ser em primeiro lugar discutidos de forma aberta, em todos os meios possíveis e ao nosso alcance, para que se possam conhecer as posições de todos os que legitimamente têm o direito de participar? Não devemos todos estar bem informados e bem documentados antes de irmos a qualquer AG sem uma opinião bem fundamentada? Ou preferem continuar a ter assistentes nas AG que na sua maioria nem faz ideia dos diplomas que lá vão ser discutidos? Muitas vezes muitos vão lá (não são todos felizmente) e só conhecem os documentos propostos a aprovação no momento em que entram para a sala das AG`s. E os responsáveis pelas AG`s não deveriam preocupar-se com esta realidade?
Por fim, e não menos importante: já alguém parou para pensar a razão pela qual temos em média apenas 200 a 300 pessoas (quase sempre mais de metade dos elementos pertencem aos respectivos órgãos) dentro das salas das AG`s num universo que sabemos ser superior a 55000 membros? Ninguém se questionará?
Já sei. A responsabilidade será certamente da "rapaziada dos blogers"!!