Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

A comunicação, o juízo de valor e o mobbing


Qualquer processo de comunicação é composto por um elevado indice de complexidade que o torna difícil de ser gerido pelos seus intervenientes directos. Não é novidade!

No entanto, e apesar da sua complexidade, todos nós comunicamos diariamente através das formas mais variadas - verbal, escrita, visual, gestual. Independentemente dessa complexidade, estes processos são utilizados por todos nós sem que nos apercebamos que um elevado número destes se desenvolve com consequências por vezes profundamente nefastas para muitos dos seus intervenienetes.

Os factores que intervêm negativamente nestes processos são múltiplos. Não os vou aqui abordar porque não faria qualquer sentido e os livros existem para as pessoas os lerem. No entanto gostava de abordar um deles: "o juízo de valor".

Vivemos num perído e numa sociedade em que muitas pessoas elaboram com demasiada facilidade "juízos de valor" sobre os outros indivíduos, particularmente daqueles de quem não se gosta e se quer afastar através de todos os meios ao dispor. "Juízos de valor" esses atribuídos na maioria das vezes de forma desproporcionada e com consequências por vezes profundamente dolorosas e nefastas. A facilidade com que hoje se coloca em causa os outros ou se diz mal e se deixa mal a outra pessoa com quem se comunica sem que se desse acto "venha mal ao Mundo" é algo que me deixa profundamente perturbado.

O pior é que não prevejo nem sou capaz de apontar soluções para algo que acontece com demasiada frequência na relação entre pessoas.

Sabe-se que juridicamente todos ou todas os/as que levantam falsos testemunhos sobre outros deverão ser punidos por lei dado que se trata da atribuição de uma "injúria" que carece de óbvia comprovação em tribunal. Mas, em Portugal, quantas vezes alguém se deu realmente ao trabalho de levar alguém a tribunal por "injúria"? E depois, esse esforço será realmente meritório para a parte queixosa?

Muitas pessoas são diariamente alvos de injúria, de mentira, de perseguição. Eu sou apenas mais uma dessas pessoas. Muitos inclusivé, em situações mais graves, são mesmo alvo de "mobbing" com consequências muitíssimo graves para os envolvidos e perseguidos. No entanto o que se faz realmente dentro e fora das instituições para alterar esta realidade? Nada, absolutamente nada! Na verdade, quem é que realmente se preocupa com estas situações? Eu digo: ninguém.

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

O SNS e a evidência


Durante três décadas pudémos assistir à tentativa de implementação de "um sem número" de políticas no Sistema Nacional de Saúde (SNS). Nestas várias tentativas estiveram também presentes "um sem número" de Ministros, Secretários de Estado, Comissões de especialidade, Comissões de peritos, peritos de peritos, etc, etc. Muitos dos quais, e apesar de ao longo de muitos anos nada terem conseguido, para além da presença de muita incompetência, acompanhada quase sempre de verborreia pseudoacadémica, por lá continuam, não havendo (infelizmente) evidências para as suas saídas definitivas do SNS. Afinal, apesar de deterem muitos anos de exercício profissional e mesmo assim não se verificar a presença de resultados concretos, temos que saber manter o "tento na língua" dado que estamos a falar de peritos! Mas este é outro assunto.

Basta ler os "blogues" ou ler alguns jornais na actualidade sobre este tema para percebermos que os problemas na "Gestão dos Serviços de Saúde" nunca serão solucionados. Nunca! Eu começo a acreditar finalmente que não seremos mesmo capazes de nos governar como dizia há um século um dos nossos maiores poetas.

Penso que o único indício em que podemos perceber/ler alguma aproximação de ideias que unem a "ala neo-liberal/liberal" (centro-direita) à "ala pró-estado" (centro-esquerda) é a utilização do conceito - "evidência". Está hoje muito na moda utilizar este conceito. Todos, da direita á esquerda política o utilizam nas suas palestras, nos media, nas Universidades, nos Colóquios, nos Congressos, nas comissões de peritos, entre tantos outros locais. Sei do que falo porque estive presente, por vários anos consecutivos, em centenas de eventos desta natureza.

Mas, curiosamente, a leitura que faço é que existem "várias evidências". De facto fico com a noção que dependendo do pressuposto ideológico - político, social, financeiro, económico - que os ditos "peritos" defendem, a noção de "evidência" altera-se. Como se fosse possível haver mais que uma evidência para um mesmo problema. Ou é evidente ou, se não o é, não podemos utilizar o conceito. Teremos que utilizar outro.

Basta uma das "alas" utilizar os resultados de um estudo académico ou os resultados das contas de uma qualquer Entidade Pública Empresarial (EPE) para ouvirmos em resposta imediata da "ala inimiga", e em "fogo cruzado", vir logo referir que houve "a maquilhagem das contas do SNS" ou "a falta de transparência na apresentação dos resultados".

Como podem pois utilizar o termo "evidência" se qualquer actor em saúde pode facilmente contestar os resultados, sejam estes quais forem? Como se sabe, desta forma não estamos a falar de evidência. Então, qual a justificação para a utilização do conceito?

A resposta a esta questão é estranhamente simples: ou não sabem o que siginifica o conceito, o que é provável, ou os trabalhos apresentados publicamente estão mal efectuados dado que não utilizam ou não sabem utilizar o método científico. Não conheço mais nenhuma justificação.

Infelizmente, a noção com que fico é que não são os trabalhos científicos, os relatórios e a evidência que são apresentados publicamente que têm efectivamente interesse na gestão dos serviços de saúde - poucos "olham" para as referidas evidências -, mas sim a contínua verborreia associada a demasiados protoganismos individuais dos envolvidos, da sua cor política, dos seus valores ideológicos e a eventual credibilidade(!!!) académica ou mediática de quem os apresenta. Nada mais interessa!

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

O que é a Enfermagem?


A questão só por si pode indiciar da minha parte algum comportamento desviante. Mas faço de novo a pergunta de forma consciente: o que é a Enfermagem na actualidade para os respectivos Enfermeiros?

Todos sabemos a importância da definição dos conceitos. Como se sabe não existe nenhuma teoria relevante do ponto de vista científico sem um conjunto bem definido de conceitos. Sabe-se que sem estes, pedras basilares dos modelos teóricos, temos dificuldade em falar "a mesma linguagem". Utilizamos as mesmas palavras, mas os conceitos que lhes atribuímos são por vezes, ou mesmo muitas vezes, diferentes.

Em sequência, tive a curiosidade de perguntar na última semana aos meus amigos e amigas Enfermeiros o que entendiam por Enfermagem. Tive o cuidado de lhes perguntar de forma isolada e sem nenhum tipo de formalismos. Estávamos entre amigos. Todos, sem excepção, me responderam com algumas redundâncias similares, do género "Enfermagem é cuidar do outro", mas a verdade é que nenhum colega me respondeu de forma idêntica sobre o que entendia por Enfermagem. Nenhum! Todos disseram coisas diferentes.

Tenho consciência da total impossibilidade de poder, através de uma simples análise, fazer alguma generalização. Não o faço. No entanto pergunto-me: o que aconteceria se eu perguntasse por exemplo aos Médicos o que é a Medicina? Será que me responderiam de formas muito diferentes? Ou a Psicologia? Ou a Biologia? Ou outra ciência?

Isto leva-me a pensar em algo que só agora, e apesar dos anos de experiência profissional, começa a ser óbvio. Distancio-me claramente dos órgãos instucionais e representativos da Enfermagem na actualidade porque, na sua essência, entendo que ser Enfermeiro é muito diferente do que muitos procuram afirmar. Essa é a razão central do meu antagonismo com muitos dos actuais representantes da nossa profissão. Daí o sentimento crescente do afastamento de alguns sobre a actual direcção da Ordem dos Enfermeiros e outras instituições representativas da nossa profissão. Pensamos certamente de forma diferente sobre o que é a "Ciência da Enfermagem".

Mas se é ciência, o conceito "Enfermagem" não deveria ser entendido por todos exactamente da mesma maneira? Fica apenas a questão.

Não deveria ser criado um espaço público onde todos pudessemos discutir de forma alargada e profunda o conceito actual de Enfermagem?

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

12 de Maio


Antes de mais os meus parabéns para todos os que têm a grande honra de poderem dizer que são Enfermeiros.

Embora me distancie da forma, do contexto, dos objectivos, das estratégias e de muitas pessoas que actualmente lideram os desígnios da profissão de Enfermagem quero neste momento afirmar que a minha enorme esperança é eu perceber definitivamente o quanto estou errado e o quanto outros, que diferem de mim em múltiplas áreas, estarão certos sobres as políticas aplicadas ou a aplicar na Enfermagem Portuguesa.

Desejo-lhes por isso sorte pela diferença e espero que os sucessos que porventura surjam num futuro próximo estejam de facto próximos das ambições que todos temos.

Parabéns a todos!

Domingo, 11 de Maio de 2008

Pobreza em Portugal


Li com muita apreensão, numa das manchetes de hoje do Jornal "O Público", uma reportagem alargada sobre o problema da pobreza em Portugal. Nunca como agora, em mais de 34 anos, tivemos tanta pobreza reportada na nossa sociedade. Uma pobreza que começa a ter contornos assustadores e muito preocupantes.

Todos nós hoje sabemos que o "gap" entre os mais pobres, em crescimento exponencial na nossa sociedade e os mais ricos, cada vez mais ricos, assume hoje contornos marcantes e muitíssimo preocupantes. As imorais margens de lucro das principais empresas nacionais e que têm vindo a público, demonstram sem margem para dúvida o aumento da distância entre ricos e poderosos e os restantes cidadãos mais pobres. As diferenças são chocantes e os actuais responsáveis políticos para além de se mostrarem indiferentes perante tão graves fenómenos mantêm um discurso falso sobre a contínua necessidade de controlo orçamental. Mas, como todos sabemos, a exigência deste controlo orçamental recai sempre sobre todos os cidadãos que já não têm na actualidade nenhuma margem de manobra nem capacidade reivindicativa para contrariar essas imposições governamentais. Os aumentos dos trabalhadores são míseros, os seus ordenados vergonhosos mas assistimos impávidos e serenos aos aumentos dos ordenados dos Administradores (Banco de Portugal, EDP, CGD, Galp, etc, etc) na ordem dos 118% (EDP). (???) Já não há mesmo vergonha nenhuma!

Penso que este deverá ser o período certo para se começarem a exigir responsabilidades políticas ao actual governo. O Engenheiro Sócrates e o seu governo já não podem continuar a "escudar-se" na "herança" dos governos anteriores. Prometeram demasiado e os resultados parecem-me estar muito longe dos discursos oficiais. Lideram o país há 3 anos e são responsáveis pelo actual estado do país.

Os problemas agravam-se, e os cidadãos na sua generalidade demonstram uma incompreensível submissão perante o agravar das suas condições de vida. Fico desiludido com a resignação e a impotência da maioria dos cidadãos deste país que assistem aparentemente impávidos aos fenómenos de pobreza, aos elevados níveis de desemprego, à escalada de emigração, à profunda discrepância entre os salários dos trabalhadores e dos seus dirigentes (em que o caso de Mexia na EDP que se aumenta 118% é o expoente máximo da falta de vergonha neste país), à falta de qualidade do ensino, ás evidentes discrepâncias no acesso aos cuidados de saúde (os exemplos são muitos), aos enormes fenómenos de corrupção que grassam e que ninguém (ou quase) quer saber, ao aumento progressivo mas sustentado da criminalidade violenta, ao degradar progressivo da qualidade de vida geral das pessoas comuns e mantendo mesmo assim e apesar de tudo, uma elevada paciência para aturar a incompetência que grassa o actual sistema político.

Apesar desta realidade ser inquestionável nos dias de hoje, o que é um facto é que pouco ou nada acontece neste país "à beira mar plantado". Apesar de todas as semanas surgirem notícias que atentam contra a dignidade de qualquer cidadão responsável deste país (a sua maioria), os Portugueses fingem que não sabem ou não querem saber o que se passa e esperam com elevada expectativa por melhores dias. Só mesmo os Portugueses!

Veremos!

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Rui Santos e a ideia da conspiração


Podemos ler no Blog do "Doutor Enfermeiro", no post "A Enfermagem (mesmo) perto de si!" de 05 de Maio em comentários, uma afirmação do senhor Enfermeiro Rui Santos e que diz o seguinte: "continuo a acreditar na teoria da conspiração de alguns blogues." (sic)

Conspiração?(!!)

Já cá faltava a conversa da conspiração. Não posso deixar de comentar. Confesso que há muito já a esperava! Surge sempre esta conversa da conspiração, particularmente quando os argumentos começam a faltar e as evidências se vão tornando de tal forma óbvias que permitem que a maioria dos profissionais se apercebam, sem qualquer dificuldade, que a realidade da vida profissional deles está muito longe dos discursos vagos e filosóficos de algumas organizações que dizem defender os interesses dos Enfermeiros.

Eu simplemente posso lamentar profundamente esta postura e este tipo de discursos! Eu sei que preferem ou preferiam muito mais "bocas caladas". Compreendo!

Sabe Sr. Enfermeiro Rui Santos e outros distintos colegas, sou dos que acredita que devia de haver mesmo uma conspiração séria e global na Enfermagem. Estou completamente convencido que seria francamente benéfico para a profissão de Enfermagem. Sabe, eu sou dos que pensam que o conflito, embora profundamente desconfortável para todos os envolvidos (porque o é de facto), é profundamente desejável nas sociedades democráticas e evoluídas, dado que o que se procura fazer com o conflito é procurar estabelecer o equilíbrio de todas as partes envolvidas, através do confronto de ideias e não apenas pela imposição dessas mesmas ideias. Em consequência o que é expectável é que, de uma forma progressiva, se verifique uma maior mobilização que possa permitir que um maior número de pessoas participe numa alargada e profunda discussão sobre os reais problemas que as afectam e, não tenho dúvida, que permita também poder efectivar algumas mudanças estratégicas e estruturais que as sociedades pós-industriais hoje exigem e que, profissões como a nossa, não podem dar-se ao luxo de ignorar.

Infelizmente, e ao contrário do que diz, não há nenhuma conspiração. O que há efectivamente é o surgir de um movimento individual e por isso isolado, lento, espontâneo e sustentado, que tem procurado demonstrar de forma progressiva os elevados níveis de insatisfação profissional que existem na Enfermagem Portuguesa.

Com esse tipo de argumentação que utiliza, procura visar e atingir propositadamente e de forma insidiosa um conjunto de pessoas que pensam pelas suas cabeças, que há muito já perceberam que muito do seu futuro profissional está a ser seriamente comprometido pela constante inacção justificada pela execução de inúmeras actividades e movimentos sem um efectivo impacto social e profissional, por falta de conhecimentos em algumas áreas do conhecimento, por falta de estratégias claras e actuais, salientando este ponto porque estou convicto que em algumas situações desconhecem efectivamente o conceito e a sua importância, por um desadequado e profundo desconhecimento da realidade laboral (mas aqui manda o posicionamento político) e, claramente, por excesso de políticas de esquerda (estou a falar das lutas da CGTP e do SEP) completamente desadequadas ao mundo real onde vivemos.

Só isso! Nada mais.

Sábado, 26 de Abril de 2008

As Assembleias Gerais da OE e a "Rapaziada da Blogagem"


Ciclicamente, e sempre que se ouvem críticas mais contundentes às "políticas" dos anteriores ou actuais membros da Ordem dos Enfermeiros, ouvimos muitos dizerem, e passo a citar, o seguinte: "Se esta rapaziada da blogagem fosse às Assembleias Gerais e/ou contribuisse com reflexão séria em vez de botar abaixo, talvez efectivamente a coisa mudasse. Doutro modo vamos continuar a zurzir uns nos outros e a coisa a afundar...." (in: http://doutorenfermeiro.blogspot.com em "A Paciência Tem Limites"; espaço comentários; Data de 23 de Abril de 2008).

Em primeiro lugar, quando lemos uma expressão destas presumimos desde logo que a intencionalidade em nos denominarem de "rapaziada da blogagem" é depreciativa, dado que nos remete para a condição de jovens inexperientes que tem muito a aprender na vida. Em oposto, do outro lado, os que não são rapazinhos nem "perdem tempo" com a "blogagem" têm mais do que fazer do que perderem tempo com estes disparates que por aqui se escrevem.

Em segundo lugar, esta expessão que em cima citei, também nos ensina que em vez de perdermos tempo a escrever estes dislates, deveríamos era aproveitar bem melhor o nosso tempo útil, tornando-nos desta forma muito mais úteis à sociedade em geral e à Enfermagem em particular, participando activamente nas Assembleias Gerais (AG) da Ordem dos Enfermeiros.

Assim sim! Se participássemos activamente nas AG, tudo fazia muito mais sentido e as coisas poderiam finalmente mudar.

O/A autor/a desta frase, comum a tantos outros/as, remete-nos para o nosso ínfimo lugar, o de "rapazinhos blogers" que nada fazem efectivamente para além de "mandarem umas bocas" e diz-nos claramente que se não participamos activamente nos trabalhos da Ordem dos Enfermeiros, não somos dignos de emitir nenhum tipo de opiniões, sejam elas quais forem.

Perdemos o direito de ter opinião. No fundo, dizem-nos que se em vez de "falarmos" tanto, o que deveríamos era fazer alguma coisa para mudar o actual "estado das coisas", contribuindo assim sem margem de dúvida para limitar os actuais conflitos e evitando estarmos perante uma realidade que a maioria dos Enfermeiros consegue facilmente avaliar. Logo, e numa espécie de conclusão, os responsáveis efectivos pelo actual estado da Enfermagem Portuguesa não são afinal os membros eleitos dos vários órgãos da Ordem dos Enfermeiros que detêm o poder interventivo mas, pasme-se, a responsabilidade é seguramente dos "rapazinhos Blogers" que se limitam apenas a destabilizar tudo, no sentido em que o que sabem fazer é utilizar uma política do "mal dizer" , do "bota abaixo", zurzindo e criticando quem de facto anda a trabalhar. Malditos!

Mas o que o/a colega se esquece é que a sua afirmação pode partir de falsos pressupostos. Repare que em primeiro lugar não entendo a razão pela qual parte do pressuposto que todos os que perdem tempo a "blogar" são uns rapazinhos aparentemente imberbes e inexperientes. O que o/a levou a pensar tal coisa? Olhe que não, olhe que não!


Depois, relembro que iniciámos um novo século. Iniciámos um período de profunda mudanças sociais, culturais, económicas, entre outras, a que muitos autores de referência denominam de revolução pós-industrial, em que as tecnologias de informação são a parte relevante da actual sociedade do conhecimento. Partindo do princípio que esta nova sociedade se está a construir deveriamos pensar na eventual importância de todos os "rapazinhos que blogam" dando-lhes eventualmente uma maior relevância. Posso no entanto compreender que esta realidade, para mim de inquestionável e de profunda evidência, não seja ainda uma realidade para todos os enfermeiros e enfermeiras e esta sim, ser uma verdadeira fonte de preocupação sobre a qual deveríamos todos estar verdadeiramente atentos e preocupados.

Por outro lado, parte do pressuposto que "estes rapazinhos" não vão ás AG`s da OE, e que por essa razão activos participantes nos problemas da profissão de enfermagem que a todos aflige.

Como é que chegou a tal conclusão? Não entendo!

O/a autor/a desta expressão parte ainda do presuposto que só se devem discutir os problemas da enfermagem nas Assembleias Gerais da Ordem dos Enfermeiros. Como podem reservar a discussão séria dos problemas da OE apenas para as AG? Não considerarão demasiadamente restritivo esse pensamento? As discussões que nos afligem a todos, e falo mesmo de todos, não deverão ser em primeiro lugar discutidos de forma aberta, em todos os meios possíveis e ao nosso alcance, para que se possam conhecer as posições de todos os que legitimamente têm o direito de participar? Não devemos todos estar bem informados e bem documentados antes de irmos a qualquer AG sem uma opinião bem fundamentada? Ou preferem continuar a ter assistentes nas AG que na sua maioria nem faz ideia dos diplomas que lá vão ser discutidos? Muitas vezes muitos vão lá (não são todos felizmente) e só conhecem os documentos propostos a aprovação no momento em que entram para a sala das AG`s. E os responsáveis pelas AG`s não deveriam preocupar-se com esta realidade?

Por fim, e não menos importante: já alguém parou para pensar a razão pela qual temos em média apenas 200 a 300 pessoas (quase sempre mais de metade dos elementos pertencem aos respectivos órgãos) dentro das salas das AG`s num universo que sabemos ser superior a 55000 membros? Ninguém se questionará?

Já sei. A responsabilidade será certamente da "rapaziada dos blogers"!!

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Os 10 anos da Ordem dos Enfermeiros


O tema incontornável nos dias de hoje, e nos próximos meses, é justamente a comemoração dos 10 anos de Ordem dos Enfermeiros.

Esta comemoração deverá servir antes de mais, e numa primeira linha, para uma consciencialização efectiva, por parte de todos os seus membros, do que é a Ordem dos Enfermeiros na actualidade. Isto é, o que representa, por um lado, esta Ordem para todos os seus membros e, por outro, de que forma é que se sentem representados actualmente por ela.

Como sempre nestas ocasiões, as entidades responsáveis por estas efemérides apressam-se a apontar as múltiplas vantagens de termos hoje uma organização profissional autónoma, com a responsabilidade efectiva de ser representativa da população de Enfermeiros em Portugal, como passo seguinte, na atribuição subsequente dos prémios de mérito para todos os que contribuíram para que esta existência fosse hoje efectivamente uma realidade. E, relativamente a estes pontos, nada tenho a opor. Estou certo que é necessário dar a conhecer a esta geração e às gerações vindouras todos aqueles que se destinguiram nos últimos anos e contribuíram decisivamente, com o seu mérito e esforço, para a Enfermagem Portuguesa actual. Estou convicto que nenhuma profissão pode ser digna sem a sua história. E a enfermagem portuguesa não é excepção.

Mas ficar pela história, pelos galanteios, jantares festivos e prémios a atribuir, pelas conversas para amigos, e pelos discursos profundos mas na realidade muito vagos, apesar de compreensível, é muitíssimo restritivo.

Deve-se por isso saber exigir uma reflexão conjunta e uma discussão mais alargadas, sem rodeios, sem restrições de espécie alguma, plural e democrática, onde se possam discutir todos os temas que se considerem ser os mais pertinentes e sem eventuais "tabus". E se possível e por favor!!, gratuita e a horas em que as pessoas possam estar presentes em maior número.

Esta discussão plural, democrática e integradora deverá ser uma exigência de todos os profissionais de enfermagem. Um local ou vários, uma hora ou várias e um conjunto diversificado de pessoas, diferentes dos que aparecem sempre (podia dar exemplos mas não o quero fazer), com diferentes posições, a discutirem abertamente diversos temas, dando como exemplos, a questão dos rácios - caminho único ou a escolha de outros caminhos -, a formação actual e futura e os seus condicionalismos, as competências adquiridas e a adquirir, a realidade das práticas de enfermagem e o real distanciamento da filosofia teórica que lhes dão suporte, as USF, a sua implementação e o real papel dos Enfermeiros nesta mesma implementação, as posições adoptadas e a adoptar relativamente aos cuidados continuados (não são só as questões monetárias a estarem na base da discussão), a visão social da profissão e as acções a desenvolver no futuro, o distanciamento da OE e dos seus associados - verdade ou mentira? -, estratégias da OE para medio e longo prazo discutindo-se o que devemos esperar da sua acção num futuro breve, a relação com os media ou a falta dela, a relação com os demais profissionais de saúde, etc, etc, etc. Como facilmente se pode constatar, temas é o que realmente não faltam. Temas que, antes de mais, fazem parte efectiva das preocupações de muitos Enfermeiros Portugueses.

Veremos!

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Eleições no PSD


Manuela Ferreira Leite (MFL) avança como candidata à liderança do PSD. Confesso que não me parece ser a pessoa capaz de derrotar o Engenheiro (?) Sócrates. Mas o PSD vai votar certamente em peso em MFL. Sem procurar ser adivinho, para o qual não tenho jeito nenhum, presumo que MFL será a próxima líder do PSD. Sem desprestígio de espécie alguma para os demais candidatos, MFL reune consensos nas bases e nas chamadas "elites" do partido. Se não houver nenhuma surpresa de última hora, MFL ganhará a liderança do partido.

O Dr. Pedro Passos Coelho e o Prof. Patinha Antão (e mais algum que entretanto poderá surgir) terão certamente bons argumentos para tentar contrapor as ideias de MFL. Mas não serão escolhidos certamente pelos seus currículos académicos, como defendia ontem (RTP1) Patinha Antão. Confesso que me encontro curioso sobre a equipa que irá apoiar o Dr. Pedro Passos Coelho. Espero grandes proveitos deste congresso extraordinário para o actual, e o futuro PSD.

O futuro líder do PSD será aquele ou aquela que tiver maior força política, isto é, aquele ou aquela que conseguir reunir consensos dentro do partido, o/a que tiver a melhor equipa e o/a que tiver simultaneamente as melhores estratégias para o próprio partido e para o futuro de Portugal. Eu diria que esta é uma "oportunidade de ouro" para que o partido seja capaz de encontrar fortes consensos e, em consequência, seja capaz de mostrar vitalidade, dinamismo, estratégia e visão de futuro. Sem falsas modéstias, mas com o pragamatismo necessário para que as ideias expressas se tornem realidades políticas.

Estou certo que MFL saberá reunir-se de uma equipa forte, capaz de apagar os péssimos anos em que o PSD esteve recentemente no governo. Não pode esconder este mau passado porque é muito recente. Precisa de mostrar ao eleitorado Português maior "afectividade" assim como maior proximidade para com as populações. A competência, essa qualidade, já conquistou.

É necessário por isso conseguir efectivamente demonstrar que o PSD e os seus novos líderes são capazes de fazer bem melhor do que foram até então. É urgente por isso escolher efectivamente os melhores, os mais credíveis, os que reunam as melhores competências académicas, políticas, sociais e culturais. Será necessário uma nova equipa que seja capaz de ser profundamente dinâmica e de conseguir, através desse dinamismo, transformar esta actual forma de fazer política em algo completamente novo. Não podemos ter mais do mesmo! Os Portugueses estão cansados de muitos políticos e das suas políticas.

Mas para que isso aconteça é preciso ter coragem. Coragem para afastar muitos dos que por lá andam e que, independentemente das suas competências políticas e/ou pessoais, já não são capazes de conquistar o interesse efectivo do eleitorado português.

Esperam-se por isso fortes mudanças. Mudanças no sentido do rigor, da competência, de uma estratégia efectiva, e sobretudo da verdade. Para que isso aconteça é preciso juntar aos que se encontram em melhores condições para discutir a liderança do Partido, outros. Outros que tragam o mesmo rigor, a mesma competência, a mesma verdade. Será preciso evoluir no sentido de ser possível dar origem, dentro do PSD, a novas elites. É preciso que se faça isso mesmo. Para que a população saiba efectivamente reconhecer a mudança de que tanto necessita a política Portuguesa.

Para que isso se efective, e para além de uma equipa com muitos elementos novos e credíveis, MFL terá que demonstrar ser capaz de apresentar aos militantes - todos - um plano estratégico forte, bem estruturado, real e viável. Tem que ser viável porque só assim será credível. Embora todos saibam as verdades de "La Palice" (ou La Palisse), o que verificamos é que muitas vezes o que é óbvio se perde no meio do emaranhado dos discursos políticos. Pena que assim seja!

Não me parece que haja espaço para grandes manobras. É preciso actuar bem e através desta, fazer bem feito à primeira. Não existe margem para erros. Isto se se quiser vencer o governo Sócrates.

Veremos!

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Os Blogs de Enfermagem e a importância da Cibernautica


Os que como eu, sentem que nem sempre se faz um sério esforço de reflexão sobre as problemáticas que na actualidade enquadram a profissão de Enfermagem, não posso deixar de registar o elevado número de "blogs" de Enfermagem que hoje podemos encontrar neste "mundo virtual" e que se prestam a este esforço notório de uma participação sincera e efectiva, até hoje, sem precedentes na nossa profissão.

Este espaço torna-se assim, de forma progressiva, um local de constante encontro onde cada um, ou cada grupo, procura intervir directa ou indirectamente, opinando, criticando, sugerindo, reflectindo, sobre os demais acontecimentos que se tornam, ou se estão a tornar, fonte de sérias preocupações em torno da nossa profissão e não só.

Este confronto diário "cibernautico" é pois de salutar pois demonstra, apesar das críticas, que alguns de nós (já muitos), apesar das diferenças, se interessam efectivamente pela partilha de informações, ideias e conhecimentos, fazendo por isso parte de processos bem dinâmicos, globais e globalizadores, permitindo assim um crescimento mais globalizador, mais democrático, mais concertado e por isso mais actualizado.

Parabéns por isso a todos os enfermeiros e enfermeiras que diriamente demonstram todo este interesse de partilha e que, independentemente das dificuldades e das diferenças, não desistem de intervir, demonstrando que estão preparados para enfrentar o futuro próximo, que se sabe vir a ser necessáriamente bem diferente da actual realidade.

Por estas razões a minha eleição para os melhores "blogs" enquadra todos os que têm contribuído para esta realidade e que já ninguém ousa colocar em questão.



PS: Ao DE os meus sinceros agradecimentos

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

O "rio"


Durante os últimos anos, dezenas de enfermeiros e enfermeiras alertaram para o problema de excesso de profissionais de enfermagem. Sabia-se já que, a não serem tomadas medidas que invertessem o sentido do excesso formativo de Enfermeiros, este seria um problema central a curto prazo para os Enfermeiros em geral. Durante os últimos 8 anos, os responsáveis pela OE fizeram "ouvidos moucos" sobre este grave problema e, como se sabe, nada fizeram para mudar ou tentar mudar essa realidade. Pelo contrário, como se sabe, a Senhora Bastonária em nome de todos nós, insistiu nos benefícios de tais medidas e posições. Os resultados estão aí, para gaudio dos decisores.

Durante os últimos três anos, algumas dezenas de Enfermeiros tentaram alertar para este e muitos outros problemas que agora, após se tornarem tão evidentes, "saltam à vista de todos". Mas foi preciso chegar a esta grave situação para que muitos Enfermeiros se começassem a aperceber finalmente da gravidade das decisões anteriormente tomadas e da inoperância sequencialmente demonstrada. Mas apesar de tudo, e como se costuma dizer, mais vale tarde que nunca.

No entanto, e apesar disso, os Enfermeiros voltaram a premiar as mesmas pessoas, as que nos colocaram nesta situação de amargura e de desilusão total, com o seu voto nas recentes eleições da OE. Algo absolutamente incompreenssível!

Isto é muito simples... os Enfermeiros premiaram a grave incompetência demonstrada nos últimos 4 anos por um núcleo que controla a OE (não são todas as pessoas) atribuindo-lhes mais um mandato. Alguém entende esta tomada de posição pelos Enfermeiros Portugueses? Fará sentido para alguém?

E, ainda mais estranho, todos os outros colegas que durante três anos lutaram por uma nova realidade para a profissão de enfermagem, todos os que quiseram ter uma oportunidade para tentar começar a "remar" no sentido contrário deste "rio" foram encostados e ignorados... como sempre acontece nestas situações. Os que "ousaram" colocar em questão a incompetência há anos demonstrada por esta equipa foram (e são) "exorcizados e ignorados" por grande parte dos Enfermeiros. Simplesmente não quiseram saber! Muitos falam hoje, muito legitimamente, em reuniões de emergência, em novos movimentos que visem alterar o que a maioria decidiu apenas há 4 meses! Estranho não é? Ou sou só eu a pensar assim? Não deveriam ter demonstrado essa vontade antes das eleições? É que agora, para mudarem alguma coisa de facto, têm que esperar mais 4 anos. Só agora se deram conta disso?

Na verdade, sinto que os Enfermeiros andaram e andam há muito distraídos. E parece que gostam de ser assim - submissos e distraídos!

Esta OE mantêm os mesmos elementos. O núcleo de sempre mantem-se em funções. É que são exactamente os mesmos que permitiram que a Enfermagem chegasse a este caos em Portugal. Não devem por isso esperar milagres. É que as pessoas são exactamente as mesmas. Só mudaram algumas de lugares. Nada mais! Não vai acontecer nenhum milagre porque os que lá estão sabem muito pouco. Já provaram durante mais de 4 anos que não são capazes de promover as mudanças que os Enfermeiros necessitam. E todos nós sabemos que não é a atribuir-lhes um novo mandato que alguma coisa vai mudar.

Mas a questão será: não terão os Enfermeiros e a Enfermagem aquilo que merecem? O que têm feito realmente, para além de "mandar umas bocas em corredores de instituições de saúde"? Sim, leram bem, o que têm feito realmente para mudar o actual estado de coisas para além de conversarem sobre os "males" do mundo em geral e da enfermagem portuguesa em particular?

Veremos!

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

O "Barco" a TODOS pertence!

Infelizmente, não tenho tido o tempo que desejo para poder escrever com maior regularidade. Felizmente por excesso de trabalho! Nos dias que hoje correm, temos mesmo que falar (escrever) assim. E procurar aproveitar as oportunidades que surgem nas nossas vidas.

Um dos assuntos recorrentes destas duas semanas, e dada a variedade de temas e de acontecimentos nos serviços de saúde, foi novamente a Ordem dos Enfermeiros.

Muitos colegas e amigos(as), que se cruzam comigo nas instituições de saúde, continuam como sempre o fizeram nos últimos anos, a "queixar-se" insistentemente sobre o desempenho da Ordem dos Enfermeiros e dos seus responsáveis. Aproveito sempre estas ocasiões para relembrar que não vale a pena queixarem-se nos próximos 4 anos. A actual Direcção, goste-se ou não das ideias defendidas pelos seus membros, ganharam recentemente as eleições. São por isso responsáveis incondicionais pelos destinos da Enfermagem Portuguesa. Foi-lhes atribuído um mandato para fazerem o seu trabalho e cumprirem as promessas que fizeram durante o período eleitoral. Não as esquecerei, e estarei cá daqui a 4 anos para as relembrar. Devemos por isso saber agora esperar os resultados do trabalho desenvolvido ou a desenvolver pelos seus membros. Temos que saber dar o tempo necessário para podermos legitimamente exigir os eventuais resultados.

Durante dois meses (Novembro e Dezembro) TODOS os Enfermeiros foram chamados a pronunciar-se sobre os destinos da sua profissão. Pela primeira vez TODOS os Enfermeiros tiveram a oportunidade (até agora única) de poderem optar, e por isso escolher, qual das equipas candidatas estaria em melhores condições para gerir os destinos da profissão que TODOS amamos e defendemos. E ganhou a que teve maior número de votos. A maioria dos que votaram entenderam que este era o melhor caminho. Agora temos todos que ser capazes de aceitar essa realidade.

Assim sendo, penso que já passámos o tempo de podermos questionar a actual Ordem e os seus respectivos membros. Tiveram tempo de criticar e discutir as ideias quando elas foram apresentadas em discussões públicas e nos "media". Muitos que agora criticam também podem objectivamente ser alvo de crítica pelo que não fizeram, não souberam ou não quiseram fazer em período de definir as suas opcções. A terem opiniões formadas, deveriam tê-las exposto e discutido em tempo oportuno. Não agora e desta forma! Chega por isso de críticas abusivas ditas em corredores de instituições sem qualquer efeito prático e de discursos fáceis em que os envolvidos são por vezes "enxovalhados" sem que se possam defender. O respeito mútuo é essencial mesmo que se partilhem ideias diferentes. Devemos por isso procurar centrar as nossas discussões em ideias formadas ou a formar e não nas pessoas. Muitas posições públicas, mesmo que ditas em corredores, não nos beneficiam em nada. Pelo menos é a minha posição sobre este tema.

O que não quer dizer que estas pessoas, com responsabilidades aos níveis de decisão, sejam elas quais forem, estejam acima de qualquer crítica. Alguém com exposição pública não poderá almejar tal situação: a de se sentir à margem de críticas. E todos sabem isso! Num Estado de Direito Democrático ninguém se pode considerar um caso á parte. Desde que se garantam ou procurem garantir que os valores e os princípios éticos estejam sempre presentes na discussão "da coisa pública" e/ou privada.

Por isso exige-se, a TODOS nós, e para o bem global da profissão, que no mínimo as críticas ao existirem sejam construtivas e racionalmente bem sustentadas. A não ser assim, fará algum sentido criticar? Qual o objectivo de uma crítica não fundamentada? Certamente que todos estarão de acordo que não faz sentido.

Com crítica ou sem ela, a actual Direcção da Ordem dos Enfermeiros irá "governar" até 2012 os destinos da profissão de enfermagem. E este é um dado objectivo que todos conhecemos. Não me parece por isso benéfico para a própria profissão, que por razões menores se exponham em praça pública conteúdos que visam apenas a censura ao exercício e o desabafo dos que, em muitas situações, não se encontram satisfeitos com a actualidade e os destinos desta nobre profissão.

Deveriam, em minha opinião, ter pensado nesses níveis de insatisfação no período adequado a esse efeito e terem sabido em momento oportuno agir em conformidade. Como se sabe, a maioria dos Enfermeiros não teve essa preocupação e não o fez em tempo oportuno. Então, se não o fez, têm que respeitar a maioria dos que votaram na actual Direcção, mesmo que muito minoritária no Universo da nossa Profissão. Mas em Democracia é assim! Todos o sabemos.

De que serve criticar agora e, muitas vezes, gratuitamente?

Veremos!

Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Pedro Vaz Serra


Para variar um pouco, vou lendo algumas coisas que por aí se publicam. Um dos melhores textos que li nos últimos tempos sobre a questão "do público" e "do privado" enquanto possível caminho e/ou solução a adoptar para "salvar" o nosso Sistema Nacional de Saúde (SNS) vem publicado no Jornal de Negócios.

É um artigo de opinião, publicado no dia 20 do corrente mês e foi escrito pelo Empresário Pedro Vaz Serra.

Claro, objectivo, conciso e cheio de conteúdo relevante. Simples!

Se muitos dos enfermeiros e enfermeiras ( o Eng. Sócrates e não só!) quisessem ler com a devida atenção muitas das mensagens referenciadas neste texto, seríamos certamente capazes de traçar com maior objectividade, sem preconceitos profissionais, sem ideologias políticas e sem lirismos, as estratégias a médio e a curto prazo para a nossa profissão e obviamente para o SNS. Mas ninguém parece muito preocupado com os sinais muito preocupantes que a evidência nos aponta.

Deixo como sugestão a leitura deste texto a muitos dos nossos líderes. (link)

A reunião


Como sabemos a Ordem dos Enfermeiros esteve hoje reunida com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Os princípios da reunião agendada, tal como eu os conheço, eram profundamente válidos no sentido de se poder vir a dar início a um re-alinhamento das estratégias da nossa profissão.

Naturalmente que, não tendo estado presente na referida reunião, não posso nem quero opinar sobre os conteúdos do que foi discutido e abordado.

Mas, perante o resumo apresentado aos Enfermeiros e disponibilizado no respectivo site gostaria de referir algumas palavras.

Num primeiro ponto podemos ler o seguinte:

"Perante a posição que a Ordem tem vindo a defender no que respeita à adequação do Ensino de Enfermagem ao Processo de Bolonha, o Prof. Mariano Gago afirmou que a legislação em vigor não permite, neste momento, mais do que a consolidação do ensino de Enfermagem num 1º Ciclo de 240 créditos (quatro anos). A estabilização deste quadro permitirá, no seu entender, a manutenção das competências que, desde 1999, são objecto do ensino da Enfermagem. A OE defendeu que, tal posição, só pode ser equacionada caso seja aceite a elaboração de um plano estratégico para o Ensino da Enfermagem, no qual a aquela situação seja considerada uma etapa."

E eu pergunto: foi preciso o Senhor Ministro Mariano Gago informar sobre esta realidade para que compreendessem que o Modelo de Desenvolvimento Profissional (MDP) está claramente a mais nesta Europa cada vez mais global? Não valia a pena. Se tivessem lido o que eu aqui escrevi há uns dias atrás teriam perdido menos tempo com esse assunto.

Um pouco mais à frente podemos ler o seguinte:

"A OE reiterou a sua posição que de a carência de enfermeiros no país não pode servir de justificação para o aumento de vagas nos cursos de Enfermagem sem que os mesmos garantam a qualidade da formação."

A carência de Enfermeiros? Apesar deste assunto ser profundamente sério, a verdade é que sobre este tema só me apetece rir. Penso que se conseguirem provar que existem Enfermeiros a menos em Portugal devem exigir imediatamente os mil Euros ao "Doutor Enfermeiro". Concorram todos os actuais elementos da Ordem dos Enfermeiros que o prémio poderá mesmo ser vosso. Afinal, 1000 euros é muito dinheiro para qualquer Enfermeiro.

Fico agora ansiosamente à espera do "conjunto de dados" que a Ordem vai apresentar em beve ao Ministério da Ciência e Ensino Superior para ultrapassar algumas das barreiras, que só agora sabem existir. Mais vale tarde que nunca! Sabemos agora que com esses "dados" irão ser adoptadas medidas. Nesta fase só temos que saber esperar para ver quais as medidas que serão implementadas.

Espero também vir brevemente a saber como se pensa e se vai reorganizar a oferta formativa em Enfermagem. Pelos caminhos trilhados num passado recente vamos ter boas surpresas. Neste texto que nos apresentam não é, no entanto, referida nenhuma ideia. Percebe-se que esta é uma matéria que ainda vai ser discutida.

Veremos!

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

FELIZ PÁSCOA
para todos

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Reviravolta na Saúde


Soubemos esta semana, através do Primeiro Ministro Sócrates, que o Hospital Fernando Fonseca, vulgo Amadora-Sintra, vai passar a ser Empresa Pública Empresarial (EPE) a partir de 01 de Janeiro de 2009.

Começo por referir que não nutro pelo Grupo Mello, enquanto responsável pela gestão do referido Hospital em Parceria Público Privada (PPP), ou qualquer outro, qualquer simpatia. Penso que, ao longo dos 13 últimos anos, foram (e são) mesmo muito incompetentes, e por isso incapazes, de fazer desde novo modelo de gestão, um sucesso. Todas as pessoas minimamente atentas e conhecedoras destes fenómenos sabiam que mais tarde ou mais cedo este modelo de gestão iria acabar. E teria sido muito importante para os investidores privados em saúde (todos) que este modelo tivesse sido um enorme sucesso. Não o foi! Penso mesmo que nunca se esforçaram para que alguma vez isso pudesse acontecer. Preferiram o lucro fácil e rápido à construção sustentada do modelo de gestão. Nunca foram capazes de se fazerem reunir das competências - principalmente de capital humano - necessários a um tal objectivo. As consequências estão aí, bem visíveis.

O mais extraordinário desta notícia assenta no facto desta decisão ser tomada no governo de Ana Jorge, enquanto Ministra da Saúde. Não deixa de ser, no mínimo, curioso. A actual Ministra da Saúde parece apostada em se cruzar e "conflituar" com o Grupo Mello. Terá certamente as suas razões.

Mas o mais grave desta notícia não se prende, como é lógico pressupor, com a minha simpatia ou antipatia com o Grupo Mello e com a Senhora Ministra. Prende-se obviamente com o facto de termos iniciado MAIS um novo ciclo político no Ministério da Saúde. E isso sim! É um facto muito sério e preocupante. Com a entrada desta Ministra demos início a mais um ciclo político dentro do sector da saúde. Os privados ficam claramente fora dos planos de Ana Jorge. A política de esquerda no seu melhor, com o Bloco de Esquera e o Partido Comunista a aplaudir.

E é preocupante no sentido em que, as contínuas descontinuidades políticas a que temos assistido nos últimos anos, nada têm trazido de benéfico ao próprio sistema de saúde Português e, consequentemente, aos seus vários actores. Existe múltipla literatura e evidência suficiente que comprova o que acabei de referir. E exemplos não nos faltam. Lembro aqui o que aconteceu no governo de Guterres, com Maria de Belém enquanto Ministra de Saúde. Como se sabe Manuela Arcanjo quando toma posse inverte completamente a política de saúde de Maria de Belém. Fomos até testemunhas de alguns pequenos arrufos públicos entre elas. E estávamos num mesmo ciclo político. Hoje, como sempre, voltamos a mais uma nova Ministra da Saúde e a mais um novo ciclo político, dentro de uma mesma legislatura. Os sinais são óbvios. Desta feita inverte-se a politica de Correia de Campos. E não se percebe porquê!

As ideias e as políticas de saúde continuam hoje como sempre. Não têm sido capazes de aprender com os erros do passado. Todos percebemos que este tipo de mudanças políticas contínuas em saúde, que se apresentam aos cidadãos sem qualquer estratégia, nos prejudicam seriamente e de forma irreversível. Há décadas que pagamos muito caro as incoerências dos vários governos que nas últimas décadas nos têm governado. A "Governance" da saúde é impraticável neste país. Pelo menos enquanto se insistir na colocação de algumas pessoas no Ministéro da Saúde sem que reunam as competências necessárias. E, por este exemplo com que Ana Jorge nos acabou de brindar, sabemos hoje que o "custo" destas novas medidas (se é que são medidas) será enorme. Eu sei disso!

Veremos!

Sábado, 8 de Março de 2008

12 de Maio


Por norma não sou apologista de manifestações ou contestações por razões menores, por imposição de quem quer que seja ou ainda por interesses de grupos e/ou sindicatos.

Não sou actualmente sindicalizado embora já o tenha sido durante largos anos. Durante anos percebi que os meus interesses e direitos enquanto profissional de saúde poucas ou mesmo nenhumas vezes foram respeitados e tidos em linha de conta. Mas é apenas uma posição como a de muitas outras. Vale o que vale!

Por esta e por muitas outras razões, e na actualidade, não levo a sério o trabalho dos sindicatos. Certamente uma ideia a aprofundar aqui neste espaço num futuro próximo. Mas não agora. Sabemos que uns defendem uma linha partidária. Outros defendem outras. Acabam no final por ser como os partidos. Tenho consciência dos conteúdos expressos nesta frase e da sua complexidade. No entanto, tal como referi fica para um outro dia. Habituámo-nos a ver uns de um lado outros de outro. A dividir para reinar. E os que reinam actualmente são na essência os mesmos de há 20 anos. Na generalidade, acabam sempre por conseguir defender os interesses deles próprios ou das linhas de orientação política a que estão sujeitos como forma de sobrevivência. Como em outras matérias, nehuma ideia expressa é totalizadora. Existem obviamente exepções à regra.

Apesar deste meu posicionamento sinto que algo deve ser feito. Não podemos continuar impávidos e serenos a assistir à destruição lenta e progressiva da profissão de Enfermagem. No actual momento os sinais de insatisfação e de indignação dos Enfermeiros Portugueses são por demais evidentes dentro e fora das organizações de saúde. Precisamos de agir. E precisamos de agir em conjunto numa acção estratégica global que vise reforçar o papel dos Enfermeiros.

Apelo por isso, tal como outros o têm vindo a fazer nestes espaços a um diálogo interno conjunto que vise diminuir diferenças internas e que permitam assim conseguir, no mínimo, uma plataforma de entendimento entre várias partes. Para isso será necessário alargar o âmbito do debate por forma a que bandeiras partidárias e sindicatos sejam capazes de, dentro das diferenças, se unir em matérias de essencial interesse para a nossa profissão. Mas sem truques e subterfúgios, sem cartas escondidas numa qualquer manga e em que se procure utilizar um discurso claro e facilitador da comunicação entre as diversas partes. Sem interesses escondidos que não sejam os da própria profissão. Entendo que só desta forma seremos capazes de combater esta agonia, esta desmotivação, este desinteresse que insiste em se manter presente nos últimos anos na realidade dos Enfermeiros Portugueses e, mostrar também, que somos capazes de grandes movimentos que nos permitam dignificar ainda mais a nossa profissão aos "olhos" da população Portuguesa.

Desta forma, e só desta forma entendo que, tal como muitos outros colegas o têm vindo a demonstrar nas últimas semanas, devemos em conjunto aprofundar uma forte acção de contestação para o próximo "Dia do Enfermeiro". Nestas circunstâncias, apelo e apoio uma forte mobilização de todos, sempre com acções concertadas, que ajudem a mobilizar o máximo de Enfermeiros possível tendo em vista demonstrarmos também uma forte "Indignação" com o actual estado da profissão de enfermagem. Temos potencial para o fazer. Só temos que o tornar real.

Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Prémio ou Fuga



José Miguel Boquinhas, actual Administrador do CHLO, médico e ex-secretário de Estado da Saúde, transfere-se para os HPP. Está garantida a sua transferência. A boa notícia é que deixa o CHLO. A má refere-se ao facto de ir para os HPP. O problema, a existir, mantém-se. Desta feita transfere-se simplesmente o problema para os profissionais do HPP.

Isto significa que o problema simplesmente se transferiu. Certamente que devemos esperar que se mantenham as ideias e filosofia de Boquinhas no que concerne ao mandado à frente dos HPP. Nada mais.

A lógica deste processo é clara para todos. José Miguel Boquinhas transfere-se para os HPP por excelente desempenho à frente do CHLO. E quem sou eu para por em dúvida? Se o homem é competente faz sentido que se premeie o seu desempenho. Faz parte dos processos de avaliação. Podemos inclusivé afirmar que é uma forma positiva pois trata-se de um incentivo. Boa gestão, portanto!

Faz por isso sentido. E ainda dizem que existem défices de gestão nos serviços de saúde. Certamente más "bocas" pois, como se comprova, nada disso se verifica. Foi apenas atribuído um prémio de dedicação à causa. Não sabemos é de quem.

Veremos!

Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

O "Harakiri" da profissão de Enfermagem


Lamentavelmente, tenho tido muito pouco tempo para escrever. Mas tenho continuado atento a tudo o que se está a passar na Enfermagem Portuguesa. Infelizmente, e pouco a pouco, vamos assistindo a um ritual, a que os japoneses denominam de "Harakiri", mas neste caso adaptado a uma profissão. A nossa! Só mesmo em Portugal para se assistir a tal "coisa".

Finalmente, os diversos "media" existentes - particularmente a TV e a Rádio - têm demonstrado que todos aqueles que criticavam os processos de decisão da anterior e actual direcção da Ordem tinham e têm razão nas suas críticas. Eu, como alguns de nós, há muito tempo que vimos a alertar para o anterior e o actual estado da nossa profissão. Mas até nada de efectivo e relevante tem sido feito.

E os resultados estão aí: Enfermeiros a quem já não se pagam horas de qualidade, outros pagos a 5 euros há hora enquanto algumas Directoras dessas mesmas instituições auferem milhaes de euros/ano mais todo o tipo de ajudas de custo, Enfermeiros que não sabem o que é a Enfermagem e por inerência o que é ser Enfermeiro, Enfermeiros sem currículo e por isso, colocados sem critério e por "cunha" em cargos de direcção, a avaliarem outros Enfermeiros mais experientes e com maior currículo, Enfermeiros novíssimos, sem experiência e sem prestígio a chefiarem alguns serviços mas completamente nas "mãos" de Directores de serviço e das Administrações que os manipulam a seu "belo prazer", entre tantas outras curiosidades a que vamos assistindo, e em breve, muito em breve, seremos capazes de ver milhares de Enfermeiros no desemprego sujeitos a todo o tipo de contrariedades. A meu ver existe já uma outra dimensão para o actual estado da profissão: afinal como poderemos no futuro garantir o emprego que temos na actualidade? Será que todos pensam que o problema do desemprego em Enfermagem só afecta os que na actualidade procuram o seu primeiro emprego? Estou convicto que precisamos apenas de esperar que este ano civil termine para que esta seja infelizmente uma nova realidade de uma dimensão consideravelmente mais grave. É que ao contrário do que pensa a maioria, já não existe trabalho para toda a vida. Temos que lutar por um lugar no nosso emprego todos os dias da nossa vida. Como o poderemos fazer com dignidade com uma realidade destas?

Mas, independentemente da actual realidade, poderia vir aqui dizer que existe uma réstea de esperança para um futuro breve. Infelizmente não o posso afirmar. Recentemente em conversa informal e acidental com alguns dos actuais responsáveis pela Ordem dos Enfermeiros fiquei convicto, em apenas 5 minutos, que as estratégias (se é que podemos falar em estratégias) serão as mesmas que as aplicadas nos passados 4 anos... chama-se política de continuidade. Na verdade, (eu já o sabia) nada vai mudar. Na verdade nem fazia sentido que houvesse mudança. Afinal, as pessoas na sua generalidade são as mesmas dos últimos 4 anos. Eu diria mesmo, as pessoas são as mesmas dos últimos 20 anos. E este sim, é o verdadeiro problema do actual estado da Profissão de Enfermagem em Portugal. Não há nenhuma possibilidade de verem a Enfermagem de outra forma.

Resta-nos por isso esperar... e observar a sequência dos acontecimentos.

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e os Enfermeiros


Muitos me acusam (e fazem muito bem) de ser pessimista na análise que faço a muitos dos problemas da profissão de enfermagem na actualidade. Eu diria que sou muito soft nessa mesma análise. Isto porque infelizmente os meus medos e receios acabam por, de forma progressiva, ser de uma ou de outra forma confirmados.

E os exemplos vão acabando por surgir quase todas as semanas. Pelo menos vou mantendo o meu blog ocupado com notícias frescas.

Na morada http://www.petitiononline.com/ifchlo/petition.html podemos ler o seguinte:


"Neste momento a administração do CHLO (Centro Hospital de Lisboa Ocidental) que agrupa o Hospital de Santa Cruz, o Hospital Egas Moniz e o Hospital de S. Francisco Xavier, decidiu deixar de pagar as horas de qualidade como tem feito até agora, para passar a pagar segundo a lei do código de trabalho, isto é, em vez de sermos remunerados a 50% e 100% nas noites, fins de semana e feriados, somos apenas pagos a 25% a qualquer noite a partir das 22h até as 07h. E quando digo deixaram de nos pagar é apenas aos enfermeiros contratados, pois os enfermeiros da função publica continuam a ser pagos a 50% e a 100%. Em termos práticos perdemos cerca de 150€ a 200€ por mês. Após reuniões com o sindicato o conselho de administração do CHLO decidiu atribuir um subsídio de turno de 71€ de "natureza provisória". *sem palavras* Produzimos o mesmo, trabalhamos as mesmas horas e recebemos menos? Assim em poucas palavras quis expor lhe mais uma atrocidade! Esta medida já é aplicada em muitos outros locais. O grave disto, é que para além de promover a desigualdade de direitos entre os contratados e funcionários públicos, vem menosprezar o desgaste que nós enfermeiros estamos sujeitos ao trabalho por turnos, para além das complicações familiares que por vezes acarreta. Assim não vale a pena trabalhar por turnos. Ninguém reconhece o nosso trabalho e o quão difícil é trabalhar à noite, Sábados, Domingos e feriados. O nosso ritmo circadiano fica todo alterado e nem monetariamente agora é recompensado esse desgaste. Por favor façam chegar esta informação ao maior numero de enfermeiros possível e juntos vamos tentar lutar contra esta situação!!!!! Muito obrigada!"


Todos sabemos que este é, infelizmente, mais uma grave acontecimento que condiciona de muitas formas o futuro da nossa profissão, embora possa parecer aos mais distraídos que se trata apenas um acontecimento isolado que não terá, a partir deste momento, maiores consequências.

Tive o cuidado de confirmar esta realidade com alguns colegas que desempenham funções neste Centro Hospitalar. E o desânimo, no grupo de enfermeiros e enfermeiras deste Centro Hospitalar, é na sua generalidade global.

Infelizmente é apenas o começo de algo que já há muito se esperava que acontecesse e pressuponho que se trata apenas do princípio de algo mais global e extenso.

E estes factos só se verificam pela simples razão de termos uma liderança fraca, sem coragem para interferir convictamente sobre estas afrontas feitas aos Enfermeiros portugueses, incapaz de se adaptar às constantes mudanças do actual sistema de saúde, incapazes de antecipar e serem promotores desta mesma mudança, incapazes de liderar e gerir efectivamente as estruturas que lideram - nos vários níveis de gestão - revelada pela simples incapacidade de se darem ao trabalho de conhecer a realidade do país em que vivemos e de se preocuparem efectivamente com o actual estado da profissao na actualidade. Para muitos destes, as mudanças a que assistimos são meros acidentes de percurso que ocorrem, simplesmente, pelo facto de existirmos.

Podemos por isso, e com total legitimidade, colocar nesta fase várias questões para as quais eu gostaria de obter respostas: o que pensam os diversos Directores de Enfermagem e a Enfermeira Directora do CHLO sobre esta questão e o que estão a fazer efectivamente para contrariar esta realidade? São também afectados por estas decisões? Ou, pelo contrário, estas decisões não os afectam? No plano interno, o que têm feito para contestar esta decisão da administração? O que estão efectivamente a fazer para combater de forma eficaz esta grave afronta feita aos Enfermeiros Portugueses? Ou, tal como muitas vezes os responsáveis da Ordem nos dizem, não podem fazer nada porque não é das suas competências? Não são os Enfermeiros Directores e os Directores de Enfermagem também Enfermeiros? Como podem permitir que processos desta natureza se instalem dentro das organizações nas quais têm funções de gestão e liderança sem que assista a nenhum público e efectivo manifesto de desagrado sobre esta situação?

Infelizmente a forma de estar e de actuar de muitos dos nossos, chefes, supervisores, directores - dentro das organizações de saúde - e muitos dos sindicalistas e responsáveis pelos órgãos da Ordem dos Enfermeiros não mudou um milímetro. E todos, em conjunto, são responsáveis pelo actual estado de coisas.

Mas pelo simples facto de até então nada ter mudado na forma de estar e actuar dos actuais responsáveis pela profissão de enfermagem, presumo que muito mais surpresas surgirão nos próximos meses para a nossa profissão. Infelizmente!

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Modelo de Desenvolvimento Profissional


Infelizmente não tenho tido a disponibilidade e por isso o tempo necessário para poder escrever sobre os mais diversos temas que perfazem a nossa actualidade política, social e profissional. Vamos fazendo o que podemos.

Um desses temas é o incontornável Modelo de Desenvolvimento Profissional (MDP) proposto pela nossa Ordem Profissional e já abordado em outras ocasiões.

Num país em "queremos sempre ser mais papistas que o papa", e na maioria das vezes sem competências necessárias para o ser efectivamente, era de esperar que alguns portugueses, de entre eles alguns enfermeiros e enfermeiras, continuem a viver num país "cor de rosa" em que o que se privilegia é (agora) a academia, mesmo que esta, apesar de fundamentada, esteja completamente desadequada do mundo real em que vivemos.

E ainda muito poucos parecem ter percebido, ou não querem perceber, que uma academia desadequada do contexto profissional não serve absolutamente para nada. Já no tempo em que fui aluno, e já lá vão alguns anos, se comentava e se criticava a profunda desadequação das competências ensinadas aos discentes, à época, quando comparadas às necessárias para o real exercíco profissional. Todos sabem que a evidência só por si, aplicada numa outra realidade e num outro contexto, não se traduz obrigatoriamente num resultado positivo. E este vai ser o caso.

O professor Paulo Parente, distinto enfermeiro e Presidente da Escola Superior de Enfermagem do Porto, disse e muito bem que o modelo tal como está a ser pensado se traduzirá a curto prazo num redondo fracasso. Se fosse eu a dizê-lo entendia que ninguém ligasse às minhas palavras. Mas estamos a falar de um colega que tem tido ao longo dos anos profundas intervenções na nossa profissão de inquestionável qualidade, um académico reconhecido, razão pela qual se deveria ler com muita atenção as palavras que escreve e as afirmações que sustenta publicamente. Quem pense um pouco sobre esta problemática facilmente se dá conta de que este modelo depois de iniciado está condenado ao fracasso nos primeiros anos da sua aplicação. Talvez não se note logo no primeiro ano ou no segundo, mas notar-se-á o seu insucesso a um curto prazo. E as razões são claras e lógicas: não vai haver um número de vagas suficiente para que todos os Enfermeiros, que terminam a sua licenciatura, possam fazer parte desta "elite", o que irá implicar um óbvio fracasso às intenções que agora são apresentadas por quem defende este modelo.

Confesso que também não entendo a razão pela qual precisamos de um MDP tal como nos é apresentado. Querem criar uma nova "elite"? Para quê? Quais as reais vantagens? De que forma contribuem para uma profissão de Enfermagem mais direccionada e mais próxima dos utentes? E os Enfermeiros, entretanto formados, o que andaram então a fazer nas Escolas Superiores de Enfermagem até esta fase? Sinceramente tenho muitas dificuldades em entender as vantagens deste modelo, para além de facilmente conseguir perceber que estamos a fomentar mais um crivo completamente desproporcionado entre os Enfermeiros, permitindo sem dúvida criar, no futuro, desvirtuamentos internos na profissão que não beneficiarão em nada os profissionais e consequentemente a profissão e, ainda, os utentes de quem cuidamos.

Mas o que critico ainda com maior ênfase é a sua aplicação descontextualizada da realidade em que hoje vivemos e de ser apresentado apenas como uma solução isolada e única. O que devemos tentar saber é porque não se actua com medidas simultaneas? Porque não se aplica o MDP ao mesmo tempo em que se pressiona o Governo e, particularmente, o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior a fechar muitas Escolas Superiores de Enfermagem que se sabe não terem qualquer qualidade, permitindo assim e simultaneamente, diminuir o número final de alunos licenciados? Não teria então mais lógica aplicar então o MDP em seguida?

O que vai acontecer, Paulo Parente já o disse: em poucos anos vamos assistir a centenas, senão milhares de enfermeiros licenciados que nunca poderão exercer autonomamente a sua profissão. E isto não é, a meu ver, admissível. O que vem contrariar de forma incompreensível a filosofia e o Processo de Bolonha entretanto a ser aplicado na União Europeia. É este o caminho que a profissão de enfermagem quer? Um caminho que desvirtua e contraria todos os processos aplicados e a aplicar no Ensino Superior Universitário e Politécnico em toda a União Europeia na actualidade?

Sinceramente tenho dificuldade em aceitar, sem o criticar, este passo que os actuais responsáveis pelos destinos da profissão de enfermagem pretendem dar.

Veremos!

Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

SEP, Doutorenfermeiro, Enfermeiro Rui Santos, o Elefante Branco, a Enfermagem em Portugal e a fixação nos rácios


Infelizmente o discurso de um passado recente continua. SEP e Ordem dos Enfermeiros ainda não conseguiram ver a "verdade" de frente. Continuam com o mesmo discurso sustentado em relatórios e pareceres vindos de outros paises... países esses que, como facilmente se percebe, não são Portugal.

Portugal e a maioria dos restantes países Europeus não diferem apenas na questão dos rácios. Seríamos todos muito mais felizes se o problema fosse só este. E muito fácil de resolver.

Infelizmente diferem em milhares de outros indicadores. As suas realidades - Social, Económica, Financeira, Política, Cultural - não são comparáveis em quase nenhum indicador.

Mas apesar destas diferenças, muitos dos nossos colegas - SEP e Ordem dos Enfermeiros -, continuam com o mesmo e cansativo discurso alegando que Portugal pode ser diferente em milhares de indicadores sociais, económicos, financeiros, políticos, culturais, etc, etc, mas em matéria de rácios em Enfermagem temos que ser iguais ou, se possível, ainda melhores que outras realidades que nos são próximas. Talvez consigam um dia destes. Sugiro que para isso ameacem de morte a Ministra da Saúde e toda a sua família!!!! É que de outra forma esse discurso já não pega. Estamos fartos dele. Por mais números que nos tragam. Que obviamente não contesto.

Estou convencido que muitos colegas ainda não se deram conta que esses relatórios não servem para nada perante a realidade única que é este "país à beira mar plantado". Eu diria que é falta de visão política e, consequentemente, falta de uma profunda visão estratégica para uma profissão de enfermagem que se quer realista e, por esse facto, devidamente integrada na realidade do seu país. Não em outras realidades. Eu, como muitos outros colegas, continuamos a afirmar e a alertar para o facto de nenhum político deste país dar "ouvidos" a esses relatórios. Porque se o quisessem fazer, há muito que estaria este grave problema resolvido! E a razão é simples... Não o fazem porque o SNS está falido desde a sua concepção e nada me leva a fazer crer que vai alguma vez deixar de estar. Falta ainda assistirmos a uma forte e séria discussão dos sectores representativos da nossa Nação para que se possa pensar num novo modelo para os sectores sociais, particulamente para o sector da saúde. Como se sabe essa discussão pública ainda está por se fazer e, enquanto não for feito com a seriedade e profundidade que merece, nada vai ser alterado. Apenas continuaremos a assistir, como até aqui, a mudanças de cosmética. Nada mais!

Outros relatórios, que não esses que nos apresentam, apontam para diferenças abismais entre Portugal e a quase totalidade dos países Europeus em muitas áreas políticas e os indicadores são múltiplos. Penso não ser novidade para ninguém o conteúdo da anterior afirmação. A ser assim, o que nos leva a querer que os responsáveis políticos vão dar maior atenção aos problemas da profissão de Enfermagem? E muitos outros graves problemas que todos nós conhecemos e que são notícia constante nos diversos media Portugueses? Não terão prioridade na agenda dos diversos Governos?

SEP e Ordem dos Enfermeiros, em conjunto, há muitos anos que pensam em construir um castelo de qualidade... e socorrem-se de relatórios que nos levam a mais relatórios, de números que nos levam a mais números, e entretanto... esquecem-se da realidade do país em que vivemos todos. Estão de facto a construir um castelo... mas ao contrário. De cima para baixo. E que se está a desmoronar à vista desarm